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Como tomar valeriana para ansiedade: dose e cuidados

· 6 min de leitura · Ansiedade

Saber como tomar valeriana para ansiedade é menos sobre achar a cápsula certa e mais sobre entender quatro coisas: a dose de cada forma farmacêutica, o horário, o tempo até o efeito aparecer e os quadros em que a planta não vai resolver nada sozinha. Abaixo está o que consta nas bulas brasileiras e o que se vê no consultório com quem chega tomando valeriana há meses e continua tendo crise.

O que é a valeriana e como ela age no organismo

A Valeriana officinalis é uma planta cuja raiz é usada há séculos como calmante. O que chega à farmácia não é a planta inteira: é um extrato seco ou líquido padronizado, feito a partir da raiz e do rizoma.

O componente mais estudado é o ácido valerênico. Ele atua sobre os receptores GABA-A, o mesmo sistema em que agem os ansiolíticos de tarja, porém com intensidade muito menor. Por isso a valeriana é descrita como sedativo leve, e não como ansiolítico potente.

No Brasil ela é um fitoterápico registrado na Anvisa, com indicação de bula para insônia leve e estados de tensão nervosa. A maior parte das apresentações é de venda livre, o que não significa que o uso possa ser feito sem critério.

Como os fitoterápicos agem no organismo

Fitoterápico não é sinônimo de inofensivo. Quem age é um conjunto de compostos ativos da planta, extraídos e padronizados para que cada cápsula entregue uma quantidade previsível de princípio ativo. Esses compostos são absorvidos, passam pelo fígado e se ligam a receptores do sistema nervoso como qualquer outro medicamento. A diferença está na intensidade do efeito e na variação entre marcas, não na natureza do processo. Daí decorrem as três consequências práticas: o efeito depende da dose, costuma ser gradual e soma com outros remédios.

Para quais sintomas a valeriana é indicada

A indicação mais consistente é o sono. A valeriana costuma ajudar quem demora a adormecer porque a cabeça não desliga, e não quem acorda de madrugada por outros motivos.

Sobre ansiedade, a leitura precisa ser honesta. Os estudos mostram efeito modesto e pouco consistente em quadros ansiosos, bem mais fraco do que o observado para insônia.

A valeriana não é tratamento para transtorno de pânico, ansiedade generalizada grave, fobia específica ou compulsão. Nesses quadros ela pode, no máximo, suavizar o sono enquanto o problema de fundo segue intocado.

Como tomar valeriana para ansiedade: dose e horário

A dose muda conforme a forma farmacêutica e a padronização do extrato. Os números abaixo são a faixa que aparece nas bulas brasileiras e valem como ordem de grandeza: a dose que serve para você é a que o médico ou o farmacêutico confirmar diante da bula do produto que você comprou.

FormaDose usualQuando tomar
Cápsula de extrato seco250 a 450 mgAntes de dormir
Comprimido revestido100 mgAté 3x ao dia
Extrato líquido20 a 40 gotasAté 3x ao dia
Chá da raiz2 a 3 gFim da tarde
Tintura3 a 5 mLAntes de dormir

Uso para dormir

Para insônia, a tomada é única, de 30 a 60 minutos antes de deitar. Muita gente toma já na cama, não sente nada em quinze minutos e conclui que a planta não funciona.

Uso durante o dia

Para tensão diurna, a dose costuma ser fracionada em duas ou três tomadas menores. Sonolência é efeito esperado, então dirigir e operar máquinas pedem cautela nos primeiros dias de uso.

Quanto tempo leva para fazer efeito

Existem dois tempos diferentes, e confundi-los gera frustração. Para o sono, o efeito costuma aparecer na mesma noite ou em poucos dias.

Para sintomas ansiosos, o que a literatura descreve é uso contínuo de duas a quatro semanas antes de qualquer julgamento. Aumentar a dose na primeira semana porque nada mudou é o erro mais comum.

Se depois de um mês de uso regular nada se moveu, insistir raramente ajuda. Vale rever o quadro com um profissional de saúde em vez de subir a dose por conta própria.

Contraindicações, efeitos colaterais e interações

A valeriana tem bom perfil de segurança em uso de curto prazo, mas não é neutra. Deve ser evitada nas situações abaixo.

Cuidados durante o uso

Não associe com álcool, não dirija enquanto não souber como seu corpo responde, respeite a dose da bula do produto que está na sua mão e não estenda o uso por meses sem revisão. Interrompa e procure o médico se aparecer sonolência excessiva, alteração de humor ou qualquer sinal de reação alérgica.

Reações adversas

As mais relatadas são leves: sonolência no dia seguinte, dor de cabeça, tontura, boca seca e desconforto gástrico. Uma minoria de pessoas tem o efeito inverso, com agitação e piora do sono, e nesse caso o uso deve ser interrompido.

Interação com outros remédios

A valeriana soma sedação com várias classes. Informe sempre o médico sobre o uso, inclusive antes de cirurgias, porque ela interage com anestésicos.

Sobre superdose: doses muito acima do recomendado costumam provocar sedação intensa, náusea, cólica abdominal, tremor e pupilas dilatadas. Os relatos graves são raros e os sintomas tendem a ceder em cerca de 24 horas, mas a conduta correta é procurar atendimento e fazer contato com um centro de informação toxicológica.

O que a valeriana não resolve

A valeriana age sobre a intensidade do sintoma. Ela não age sobre o que dispara o sintoma.

No consultório o padrão se repete: a pessoa passa a dormir melhor com a valeriana e continua tendo exatamente a mesma crise no elevador, na reunião ou no trânsito.

Quando existe um gatilho identificável — dirigir, falar em público, avião, exames, lugares fechados — o que precisa ser trabalhado é a resposta aprendida a esse gatilho. Nenhum fitoterápico faz isso.

A hipnoterapia clínica trabalha esse ponto em sessões estruturadas, com avaliação inicial, definição de alvo e reavaliação ao longo do processo. É um trabalho de semanas, em geral entre seis e doze sessões, não uma solução de encontro único. Se o sono melhorou e a crise continua igual, o problema não é a dose da planta: é que ninguém tratou o gatilho ainda.

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Como usar a valeriana junto ao tratamento

Não há conflito entre tomar valeriana e fazer psicoterapia ou hipnoterapia. Dormir melhor deixa a pessoa em condição mais estável para o trabalho terapêutico, e isso costuma ser útil nas primeiras semanas.

A regra que não muda: nenhuma medicação psiquiátrica deve ser reduzida ou interrompida para dar lugar a um fitoterápico. Essa decisão é do médico que prescreveu, e de mais ninguém.

Diga a todos os profissionais que acompanham você tudo o que está tomando, incluindo chás e suplementos. Fitoterápico é medicamento, com dose, contraindicação e interação, e merece o mesmo cuidado de qualquer outro.

Perguntas frequentes

Valeriana é bom para ansiedade?
A evidência é melhor para insônia do que para ansiedade. Em quadros leves, com tensão e dificuldade de dormir, ela pode ajudar. Em pânico, fobia ou compulsão, o efeito é pequeno e não substitui avaliação clínica.
Posso tomar valeriana todos os dias?
O uso contínuo costuma ser previsto por períodos de quatro a seis semanas, conforme a bula. Uso prolongado deve ser acompanhado por um médico, principalmente se você usa outros medicamentos. Não é uma planta para tomar por tempo indeterminado sem revisão.
Quanto tempo depois de tomar a valeriana faz efeito?
Para dormir, o efeito aparece cerca de 30 a 60 minutos após a tomada. Para sintomas ansiosos, o que se avalia é o uso regular por duas a quatro semanas. Julgar pela primeira noite leva quase sempre a uma conclusão errada.
Quais cuidados devo ter ao usar a valeriana?
Evite álcool, tenha cautela para dirigir nos primeiros dias, siga a dose da bula do produto que você comprou e avise todos os profissionais que acompanham você. Suspenda e procure o médico se houver sonolência excessiva, agitação ou sinais de alergia.
Posso tomar valeriana junto com meu antidepressivo?
Só com autorização do médico que prescreveu. A valeriana soma sedação com antidepressivos, ansiolíticos e anticonvulsivantes. Nunca ajuste a dose do seu medicamento por conta própria para incluir a planta.
O que acontece se eu tomar uma dose maior que a recomendada?
Doses muito acima do indicado podem causar sedação forte, náusea, cólica, tremor e tontura. Os sintomas costumam ceder em cerca de 24 horas, mas o caminho certo é procurar atendimento médico e acionar um centro de informação toxicológica.
A valeriana pode substituir a terapia?
Não. Ela reduz a intensidade de alguns sintomas, mas não altera a reação aprendida diante do que dispara a crise. Quando existe um gatilho claro, o trabalho terapêutico é o que muda a resposta, e a planta pode no máximo acompanhar esse processo.

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